segunda-feira, 1 de abril de 2013

O DIA QUE A GLOBO FESTEJOU O GOLPE MILITAR DE 64

Um dia depois do golpe militar, o editorial do jornal O Globo, da família Marinho, celebrou a tomada de poder de um governo democrático para um regime ditatorial. O texto, publicado em 2 de abril de 1964, celebra o "ressurgimento da democracia" e anuncia que João Goulart, o presidente que teve seu posto tomada pelos militares, "fugiu". Para o jornal, as Forças Armadas foram dignas de "heroísmo" e a elas devemos nossa "gratidão". Leia abaixo o posicionamento, relembrado pelo Blogg do Amaral Nato.
"Ressurge a Democracia"
Vive a Nação dias gloriosos. Porque souberam unir-se todos os patriotas, independentemente de vinculações políticas, simpatias ou opinião sobre problemas isolados, para salvar o que é essencial: a democracia, a lei e a ordem. Graças à decisão e ao heroísmo das Forças Armadas, que obedientes a seus chefes demonstraram a falta de visão dos que tentavam destruir a hierarquia e a disciplina, o Brasil livrou-se do Governo irresponsável, que insistia em arrastá-lo para rumos contrários à sua vocação e tradições.
Como dizíamos, no editorial de anteontem, a legalidade não poderia ser a garantia da subversão, a escora dos agitadores, o anteparo da desordem. Em nome da legalidade, não seria legítimo admitir o assassínio das instituições, como se vinha fazendo, diante da Nação horrorizada.
Agora, o Congresso dará o remédio constitucional à situação existente, para que o País continue sua marcha em direção a seu grande destino, sem que os direitos individuais sejam afetados, sem que as liberdades públicas desapareçam, sem que o poder do Estado volte a ser usado em favor da desordem, da indisciplina e de tudo aquilo que nos estava a levar à anarquia e ao comunismo.
Poderemos, desde hoje, encarar o futuro confiantemente, certos, enfim, de que todos os nossos problemas terão soluções, pois os negócios públicos não mais serão geridos com má-fé, demagogia e insensatez.
Salvos da comunização que celeremente se preparava, os brasileiros devem agradecer aos bravos militares, que os protegeram de seus inimigos. Devemos felicitar-nos porque as Forças Armadas, fiéis ao dispositivo constitucional que as obriga a defender a Pátria e a garantir os poderes constitucionais, a lei e a ordem, não confundiram a sua relevante missão com a servil obediência ao Chefe de apenas um daqueles poderes, o Executivo.
As Forças Armadas, diz o Art. 176 da Carta Magna, "são instituições permanentes, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade do Presidente da República E DENTRO DOS LIMITES DA LEI."
No momento em que o Sr. João Goulart ignorou a hierarquia e desprezou a disciplina de um dos ramos das Forças Armadas, a Marinha de Guerra, saiu dos limites da lei, perdendo, conseqüentemente, o direito a ser considerado como um símbolo da legalidade, assim como as condições indispensáveis à Chefia da Nação e ao Comando das corporações militares. Sua presença e suas palavras na reunião realizada no Automóvel Clube, vincularam-no, definitivamente, aos adversários da democracia e da lei.
Atendendo aos anseios nacionais, de paz, tranqüilidade e progresso, impossibilitados, nos últimos tempos, pela ação subversiva orientada pelo Palácio do Planalto, as Forças Armadas chamaram a si a tarefa de restaurar a Nação na integridade de seus direitos, livrando-os do amargo fim que lhe estava reservado pelos vermelhos que haviam envolvido o Executivo Federal.
Este não foi um movimento partidário. Dele participaram todos os setores conscientes da vida política brasileira, pois a ninguém escapava o significado das manobras presidenciais. Aliaram-se os mais ilustres líderes políticos, os mais respeitados Governadores, com o mesmo intuito redentor que animou as Forças Armadas. Era a sorte da democracia no Brasil que estava em jogo.
A esses líderes civis devemos, igualmente, externar a gratidão de nosso povo. Mas, por isto que nacional, na mais ampla acepção da palavra, o movimento vitorioso não pertence a ninguém. É da Pátria, do Povo e do Regime. Não foi contra qualquer reivindicação popular, contra qualquer idéia que, enquadrada dentro dos princípios constitucionais, objetive o bem do povo e o progresso do País.
Se os banidos, para intrigarem os brasileiros com seus líderes e com os chefes militares, afirmarem o contrário, estarão mentindo, estarão, como sempre, procurando engodar as massas trabalhadoras, que não lhes devem dar ouvidos. Confiamos em que o Congresso votará, rapidamente, as medidas reclamadas para que se inicie no Brasil uma época de justiça e harmonia social. Mais uma vez, o povo brasileiro foi socorrido pela Providência Divina, que lhe permitiu superar a grave crise, sem maiores sofrimentos e luto.
Sejamos dignos de tão grande favor."

UMA VIAGEM NA ERA DA IDADE MÉDIA


domingo, 31 de março de 2013

A REDE GLOBO COMO SEMPRE ALIADA À JUSTIÇA, RESOLVERAM PERSEGUIR E FECHAR OS BLOGS DE NOTÍCIAS ALTERNATIVAS.

247, com Rede Brasil Atual - Um movimento surgido neste sábado 30 nas redes sociais está convocando uma reunião em defesa do Blog Viomundo para as 17h de terça-feira (2) na sede do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé – rua Rego Freitas, 454, 1º andar, República, Centro de São Paulo.
Na sexta-feira (29) à noite, após tomar conhecimento de que perdera uma ação judicial movida por Ali Kamel, diretor da Central Globo de Jornalismo, o jornalista Luiz Carlos Azenha, responsável pelo Viomundo, anunciou o fim do blog.
Azenha argumenta que não tem como pagar os R$ 30 mil impostos pela sentença, mais os gastos que terá com advogados para recorrer em outras instâncias, e, ao mesmo tempo, manter o blog.
O ato propõe: 
1 - acionar parlamentares para a denúncia da perseguição da Globo à blogosfera;
2 - campanha via internet de coleta da grana para saldar a multa de R$ 30 mil;
3 - atos na Globo contra a censura e em defesa da liberdade de expressão. 26/4 - aniversário da emissora;
4 - acionar relator da ONU para liberdade de expressão para denunciar censura da TV Globo

sábado, 30 de março de 2013

VÍDEOS EXPLICATIVOS DE MATEMÁTICA

Aritmética

sexta-feira, 29 de março de 2013

ALFABETIZAÇÃO CEFAPRO DE PONTES E LACERDA : Caderno de problemas

ALFABETIZAÇÃO CEFAPRO DE PONTES E LACERDA : Caderno de problemas: O livro apresenta situações-problema voltadas à alunos  de 1º a 3º ano, dependendo do nível de aprendizagem do aluno. Visualizar ...

ALFABETIZAÇÃO CEFAPRO DE PONTES E LACERDA : Livro "Oficina de textos" - 6/7 anos

ALFABETIZAÇÃO CEFAPRO DE PONTES E LACERDA : Livro "Oficina de textos" - 6/7 anos: Baixar livro completo Retirado do Blogger Portal Atividades

RESPEITAR AS DIFERENÇAS É PRECISO.

Certas questões na história da humanidade são de tamanha complexidade que mesmo o passar dos séculos não é suficiente para criar culturalmente um consenso a respeito. A homosexualidade é uma delas.
No livro Born to be Gay, o autor William Naphy mostra que nem sempre os homossexuais foram vistos de forma discriminatória. Muitas culturas antigas aceitavam e pregavam as relações entre pessoas do mesmo sexo, fosse como ritual de entrada na adolescência ou com funções associadas ao culto. 
Muitos autores são unânimes em afirmar que somente com a ascensão do judeo-cristianismo iniciou-se a marginalização da homossexualidade. Ou seja, se fizermos um corte transversal no tempo e espaço de nossa civilização veremos que um comportamento visto como absolutamente natural passou a ser considerado “pecado”  e qualificado de crime passível de morte, em muitas nações.
A literatura a respeito não é coisa apenas da modernidade. O romano Suetônio escreveu em seu As Vidas dos Doze Césares, livro do século 2, sobre os hábitos dos governantes do fim da República e do começo do Império Romano. Dos 12, só um deles, Cláudio, nunca teve relações homossexuais. O mais famoso, Júlio César (100-44 a.C.), teve um relacionamento com o rei Nicomedes. 
O conquistador Alexandre, o Grande (356-323 a.C.), também foi conquistado. Seu amante era Hefastião, seu braço direito e ocupante de um importante posto no Exército. Quando ele morreu de febre, na volta de uma campanha na Índia, Alexandre caiu em desespero: ficou sem comer e beber por vários dias. Mandou proporcionar a seu amado um funeral majestoso: os preparativos foram tantos que a cerimônia só pôde ser realizada seis meses depois da morte. Alexandre fez questão de dirigir a carruagem fúnebre, decretando luto oficial no reino.
Sobre o homossexualismo feminino existem muitos poucos registros até o século XVIII mas o historiador romano Plutarco dizia, já no século I, que na cidade grega de Esparta todas as melhores mulheres amavam garotas.
O que tinham em comum pessoas nascidas em épocas tão distintas como o filósofo Sócrates (469 a 399 a.C), o imperador Nero (37-68 d.C.), o artista e inventor Leonardo da Vinci (1452-1519), a rainha da França Maria Antonieta (1755-1793), o dramaturgo Oscar Wilde (1854-1900), os cantores Cazuza (1958-1990) e Cássia Eller (1962-2001), dentre tantas outras personalidades do mundo das artes, da ciência, da filosofia? Costumavam manter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo. Wilde, por exemplo, condenado por sodomia a dois anos de trabalhos forçados na prisão, ai definhou, morrendo  logo após sair.
Estariam todos eles errados? Quem somos nós para proferir julgamentos? Apenas agiam de acordo com seu coração e com suas crenças de que cada um tem o direito de escolher o que é melhor para si. Mas na vida em sociedade é necessário obedecer a leis e convenções. Portanto, precisamos analisar, discutir e nos posicionar.
O mundo está repleto de bons e maus exemplos. Um relatório da ILGA, divulgado em Genebra em 2012, revelou que  78 países do mundo consideram o homossexualismo como orientação sexual ilegal, e que apenas 11 permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo ( Portugal, Espanha, Holanda, Bélgica, Suécia, Noruega, Dinamarca, Islândia, Canadá, Argentina e África do Sul. 
A Europa é a região onde os direitos dos homossexuais são mais atendidos  e a pior situação se dá no Irã, Arábia Saudita, Iêmen, Mauritânia e Sudão onde a homossexualidade é punida com a morte, o que ocorre também em algumas regiões do norte da Nigéria e do sul da Somália. Na Ásia metade dos países criminaliza a homossexualidade e em Bangladesh, por exemplo, é punida com prisão perpétua.
No nosso continente, o maior problema é a violência contra homossexuais. A  maioria dos países não tem legislação proibindo a homofobia, mas mesmo em países como Argentina, Colômbia e Uruguai que já aprovaram legislações contra a homofobia, muitos casos de desrespeito e crimes contra estas pessoas continuam ocorrendo à luz do dia. Na Rússia, os índices são alarmantes. Cerca de 45% dos russos dizem ter emoções negativas ao lidar com homossexuais.

A exceção africana no reconhecimento dos direitos da comunidade gay é da África do Sul, onde desde 1996 existe o direito de união, em um continente onde a homossexualidade é proibida em cerca de 30 países e punida com a prisão na maioria deles. 
Nos EUA, a discussão chegou à Suprema Corte este mês e pegou alguns ministros despreparados. Eles questionaram se não teria sido melhor deixar os estados continuarem a testar soluções para a questão separadamente. Nove dos estados americanos já aceitam legalmente a união gay e somente na Califórnia cerca de  40 mil crianças vivem com pais homossexuais. 
O presidente Barack Obama, defensor da causa, reiterou seu apoio no último dia 23 por meio de uma conta no Twitter administrada em seu nome pelo 'Organizing for Action', um grupo de pressão fundado após sua reeleição. "Cada americano deveria poder se casar com a pessoa que ama", dizia a página no Twitter, com a hashtag "#LoveIsLove".
No Brasil, país com expressiva população homossexual, cerca de 24 milhões de pessoas, responsáveis pelo consumo de 150 bilhões de reais ano, a legalização do casamento gay em tramitação no congresso ainda não é uma realidade mas algumas conquistas importantes aconteceram nos últimos anos, dentre elas, a permissão de que um par homossexual pleiteie a adoção conjunta de uma criança, por jurisprudência firmada em casos tramitados junto ao STF.
Acredito que a sexualidade humana seja produto de condições históricas específicas e que o sentido de gênero é principalmente construído e não determinado biologicamente. A expressão da sexualidade é influenciada pela tradição, cultura, economia, princípios éticos, ou seja, tudo o que se pode chamar de estrutura político-social de uma sociedade.
O surgimento de grupos organizados de homossexuais no Brasil e no mundo foi significativo para a busca por respeito e direitos iguais. O comportamento da sociedade de uma forma geral, no entanto, ainda revela que existe muito caminho a percorrer para eliminar a homossexualidade da lista das palavras proibidas. É necessário tolerância com as diferenças. Devemos todos meditar a respeito.

Dep. Chico Vigilante