O objetivo deste blog é permitir aos navegadores, uma visão mais ampla de um mundo globalizado, onde as distâncias se encurtaram e as fronteiras foram expandidas, as novas mídias e tecnologias passam a fazer parte do cotidiano das pessoas. Assim, a criança e o jovem,considerados “ nativo digital ” , tem muita facilidade em utilizar esses dispositivos tecnológicos No entanto, ainda há adultos que encontram dificuldades no manuseio desses recursos em seu dia a dia.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
64% DA POPULAÇÃO É A FAVOR DAS COTAS RACIAIS NAS UNIVERSIDADES
Pesquisa sobre cotas para negros revela um país atento e decidido
EDUARDO GUIMARÃES
Chega a ser surpreendente que 64% dos
brasileiros apoiem uma política pública que foi tão demonizada e que a
mídia até hoje impede que seja defendida equitativamente
No começo, fizeram-se as trevas. Um obscurantismo democrático só
comparável ao da ditadura militar se abateu sobre a sociedade brasileira
em forma de tentativa dos seus setores mais abastados de imporem a
todos uma adesão incondicional à manutenção de privilégios injustos a um
seu setor literalmente microscópico.
Apesar de a política pública (mal chamada) de cotas "raciais" ter
surgido em universidades estaduais do Rio de Janeiro alguns anos antes, o
que desencadeou uma interminável cruzada midiática contra si foi a lei
federal 4.876/2003, instituída ao fim do primeiro ano do governo Lula.
A elite étnica, econômica e regional que sempre mandou e demandou no
país começou a ver, ali, o embrião do que seria aquele governo, ou seja,
um governo que, pela primeira vez na história, ergueria dezenas de
milhões da pobreza em que haviam sido esquecidos e os tornaria parte de
uma nova "classe média" que, em poucos anos, abrigaria a maioria deste
povo.
O Brasil, então, em um mundo em que há cerca de duas centenas de
nações ocupava desonrosa posição entre os cinco mais socialmente
injustos, perdendo em injustiça social e concentração de renda somente
para países miseráveis da África e da América Latina.
Desde a redemocratização, obtida por fadiga de material após duas
décadas de uma ditadura militar em que a desigualdade econômica, étnica e
regional se aprofundara como nunca antes, tal herança de exclusão
social que conflagrara o país e o colocara em virtual guerra civil não
refluíra praticamente nada.
A partir de 2003, porém, essa "herança maldita" começaria a ser combatida.
Um dos fatores que, em poucos anos, criaria uma nova "classe média",
por estranho que pareça em um país com Educação ainda tão frágil foi
justamente o acesso dos mais pobres ao ensino. E, sobretudo, ao ensino
universitário, até então reservado, quase que exclusivamente, aos
brancos de classe média e alta do Sul e do Sudeste.
Fazer faculdade, no Brasil, em maioria estatística avassaladora era
coisa para filhos de famílias de classes média ou alta, de ascendência
indo-europeia e brancas do Rio de Janeiro, de São Paulo, do Paraná, de
Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, e olhem lá.
Negros e mestiços de negros com outras etnias, em nova maioria
estatística avassaladora estavam condenados a jamais concluírem de fato
os estudos, o que significava nunca chegar ao ensino superior.
O que ocorria no Brasil é que os impostos da maioria pobre – que, à
diferença da micro minoria extremamente abastada, não tem como sonegar
porque paga imposto embutido nos produtos de consumo básico –
financiavam os estudos de ricaços em universidades públicas e gratuitas.
Aos pobres – sobretudo aos negros do Norte e do Nordeste, onde são
maioria esmagadora – não havia opção alguma para chegarem às
universidades estaduais e federais, pois as instituições tinham provas
duríssimas de ingresso para as quais não conseguiam se preparar tendo
estudado em escolas públicas nas quais o ensino veio piorando a passos
largos ao longo do século passado.
Além disso, negros, pobres e nordestinos ou nortistas não conseguiam
adquirir bens culturais de que os brancos de classe média ou alta do Sul
e do Sudeste dispunham à farta, tais como viagens, livros, cinema,
teatro etc.
Vale explicar que os negros, pobres, nordestinos ou nortistas
alijados do ensino superior não residiam apenas em suas regiões natais,
mas muito no Sul e no Sudeste, para onde seus pais e avós haviam
emigrado em meados do século XX em busca de uma vida melhor.
O vestibular tradicional, desde sempre, mantivera uma massa étnica,
econômica e geográfica fora do ensino superior e uma minoria com essas
características opostas dentro dele, pois não havia como jovens tão
pobres, em contingente minimamente aceitável, disputarem com outros
jovens tão favorecidos pela sorte.
Cavalgando, então, um autoengano hipócrita e conveniente sob todos os
aspectos, essa elite que reservara cotas de cem por cento para si nas
universidades atribuía sua vantagem nos vestibulares ao que chamava de
mérito, mas que não passava de sorte de ter nascido em uma família com
recursos financeiros e com a etnia "certa".
Nos meios sociais mais elitistas (nos quais, é bom que se diga, este
que escreve cresceu), o que era dito, a boca pequena, faria o próprio
Hitler corar de vergonha: os negros não chegavam ao ensino superior em
contingente condizente com sua representação no conjunto da sociedade
porque eram intelectualmente inferiores.
Nunca me canso de contar essa história: certa vez, em uma festa em um
bairro dito "nobre" de São Paulo, ao discutir a política de cotas com
racistas empedernidos anotando que com ela, em poucos anos, surgiriam
médicos negros – uma raridade no Brasil –, ouvi de algumas daquelas
pessoas que "jamais se tratariam com um negro".
Eis que a política do governo Lula, inspirada em legislação inclusiva
criada nos Estados Unidos na década de 1960, começaria a reverter esse
quadro, fazendo com que os negros e mestiços chegassem a 2011, oito anos
depois da lei federal 4.876/2003, ocupando mais do que o triplo das
vagas nas universidades que conseguiam até 2003.
Estava ameaçada a hegemonia branca, de classe média e alta e do Sul e
do Sudeste no ensino superior. O instrumento que servira,
historicamente, para perpetuar as desigualdades sociais mastodônticas de
que padece o Brasil agora corria o risco de ser anulado, pois o fator
financeiro deixava de ser preponderante para garantir acesso ao ensino
superior público, sabidamente o de maior qualidade.
Além disso, para os eleitos pela sorte que não gostavam tanto dos
estudos havia as universidades particulares, menos concorridas, mas,
ainda assim, exclusivas para a elite, pois custavam caro.
Para essa questão do ensino superior privado, o governo federal criou
o Prouni, que financiaria estudantes que não conseguissem chegar à
universidade pública mesmo com cotas "raciais", mas essa é outra
história. Aqui se fala das cotas para negros.
Ameaçada a hegemonia branca no ensino superior, mecanismos
multibilionários foram acionados para matar, no nascedouro, uma política
pública que, acima de qualquer outra, tinha capacidade para pôr fim
àquela hegemonia ao menos no longo prazo. A comunicação social foi usada
para esse fim.
De 2003 em diante, jornais, televisões, revistas, livros, filmes e,
acima de tudo, um discurso social opressor foram usados para triturar a
ideia de cotas "raciais". Não existia, na grande mídia, espaço para
contestação. Criou-se, então, um discurso que invertia os fatos: as
cotas que beneficiavam jovens negros e pobres seriam "racistas" (!?).
Um dos primeiros discursos que se levantou foi o do "prejuízo
acadêmico". A tese era muito simples: os estudantes negros que estariam
sendo beneficiados não teriam capacidade para frequentar uma
universidade "de elite" e, assim, rebaixariam a produção acadêmica e a
qualidade dos formandos.
Com o passar dos anos, a tese se mostraria uma falácia. Nunca se
conseguiu detectar o tal "prejuízo acadêmico". Muito pelo contrário.
Além de desistirem muito menos dos cursos nos quais ingressavam, os
negros pobres se equipararam ou até superaram as notas dos brancos
ricos.
Apesar do discurso massacrante contra as cotas "raciais", porém,
mostrou-se surpreendente o entendimento da sociedade de que corrigiam
uma situação infame sob todos os aspectos.
Poucas pesquisas de opinião foram feitas para aferir a reação da
sociedade ao discurso sobre o caráter supostamente "racista" ou
depressor qualitativo das cotas para negros. As poucas que foram feitas,
foram abafadas. Agora, porém, após anos sem investigarem oficialmente a
questão, surge uma nova pesquisa sobre o tema.
Pesquisa Ibope feita para o jornal O Estado de São Paulo entre os
dias 17 e 21 de janeiro de 2013 revelou que quase dois em cada três
brasileiros (62% da população) são a favor dos três tipos de cotas em
universidades públicas – étnicas, econômicas e para egressos da escola
pública.
O apoio a cotas para negros, porém, é maior que o apoio aos três
tipos de cotas. Enquanto 62% querem todas as cotas, 64% querem cotas só
para negros. Os que aceitam que só existam cotas por critérios
financeiros ou de origem escolar, porém, superam todos os grupos,
atingindo 77%.
Isso, porém, não significa que esses 77% sejam todos contra as cotas
"raciais". A diferença para os 64% que exigem cotas para negros mas
aceita se forem só para pobres ou egressos da escola pública é de
escassos 13 pontos percentuais.
Ser exclusivamente contra qualquer tipo de cota, porém, é o ponto
mais interessante. São Pessoas que ainda acreditam na balela de um
"mérito" que tem cor da pele, região do país e nível de renda e que
congrega míseros 16% da população.
E note-se que, apesar de amplamente minoritária, essa é a posição que
predominou na mídia e entre partidos políticos de oposição durante
muito tempo.
Aos poucos, porém, pesquisas não oficiais – ou seja, que não foram
divulgadas – foram revelando a partidos como PSDB, DEM, PPS e PSOL e até
à mídia (todos, inicialmente, contrários a cotas "raciais") que, se
continuassem sendo contra qualquer tipo de cota, mergulhariam em um
isolamento ainda maior.
Um dos efeitos disso foi a adoção recentíssima pelo governo tucano de
São Paulo de uma política canhestra de cotas que impõe mais tempo de
estudo pré-universitário a jovens negros e pobres para supostaente
poderem chegar "ao nível" dos brancos ricos, o que as outras
experiências com a política afirmativa mostraram ser desnecessário.
O fato é que o tsunami comunicacional que se abateu sobre o país
tentando convencê-lo de que seria "racista" uma política pública que
combateria a situação absurda de um país de maioria negra (segundo o
IBGE) praticamente não ter negros no ensino superior, fracassou
fragorosamente.
Chega a ser surpreendente que 64% dos brasileiros apoiem uma política
pública que foi tão demonizada e que a mídia até hoje impede que seja
defendida equitativamente. Significa que esse contingente esmagador da
sociedade teve contato com a tese da elite "racial" e a considerou uma
falácia.
O país que a recente pesquisa Ibope revela é um país muito diferente
daquele que é apresentado como sendo o Brasil, um país de alienados que
não entendem os mecanismos que foram usados para criar tanta injustiça
social.
O Brasil, pois, mostra-se muito atento a políticas contra a
desigualdade e, eleição após eleição, deixa ver que está decidido a
votar em causa própria, ou seja, em políticos e partidos que, por atos e
ações, reconhecem que há um sistema de exclusão social erigido para
manter a secular iniquidade brasileira.
O MESTRE DAS METÁFORAS FOI ASSASSINADO PELO REGIME MILITAR
Pablo Neruda foi morto por regime militar chileno, defende jornalista
SYLVIA COLOMBO
DE BUENOS AIRES
DE BUENOS AIRES
"Pablo não morreu de câncer. O médico que o atendia havia dito que
viveria por pelo menos cinco ou seis anos. Não resta dúvida de que
morreu como consequência do golpe de Estado."
As palavras de Matilde Urrutia, viúva de Pablo Neruda, soaram logo após a
morte do poeta chileno, em 1973, e até a sua própria, em 1985.
Apesar da grave denúncia, pouco foi feito até hoje para investigar esse
que, se confirmado, seria o mais famoso caso de "desaparição" de
opositores ao regime militar chileno (1973-1990).
O autor de "Canto Geral", prêmio Nobel de Literatura de 1971, era amigo
do presidente morto, Salvador Allende, com quem compartilhava seu
ideário esquerdista.
A Fundação Pablo Neruda, de Santiago, diz oficialmente que não há
evidências para supor que Neruda foi assassinado pela ditadura.
Concordou, porém, com a decisão do juiz Mario Carroza, de exumar em
março os restos do poeta, que se encontram em sua residência de Isla
Negra, hoje um museu em sua homenagem.
"Será um grande avanço nas investigações. Os depoimentos que temos sobre
seus últimos dias coincidem só até certo ponto, depois há muitas
contradições. A exumação pode dar a resposta final para o mistério", diz
o jornalista e historiador espanhol Mario Amorós à Folha.
SOMBRAS
Amorós é autor de "Sombras Sobre Isla Negra" (ed. Zeta),
livro-reportagem em que são ouvidos os sobreviventes do episódio,
confrontados com documentação sobre as viagens e a internação de Neruda.
Recém-lançada, a obra de Amorós está sendo usada na causa aberta na Justiça.
Neruda tinha um câncer de próstata. No dia 19 de setembro, apenas oito
dias depois do ataque ao Palácio de la Moneda, passou mal. Sua viúva
depois diria que o golpe e a morte violenta do cantor Victor Jara,
vítima do regime, o abalaram muito e fizeram sua saúde deteriorar-se.
Foi, então, levado à Clínica Santa María, de Santiago. As pessoas que o
viram aí declararam a Amorós que Neruda não parecia um doente terminal.
No dia 22, porque estava muito nervoso, aplicaram-lhe um calmante. Nunca
mais acordou.
"São muitas as evidências de que pode ter sido um assassinato. Neruda
estava com uma viagem marcada para o México daí a alguns dias, onde
falaria num evento político e tinha preparado um discurso sobre a grave
situação do Chile", diz Amorós.
Quando Matilde voltou à La Chascona, a residência santiagueña do casal,
ainda hoje mantida como era e aberta à visitação pública, encontrou o
lugar revirado e saqueado. A polícia prontamente identificou o episódio
com a ação de ladrões.
Com a imprensa pressionada pelo governo, as denúncias de Matilde tiveram pouco eco na época.
Há alguns anos, porém, o caso começou a voltar à tona. Sobre a clínica,
passaram a haver suspeitas de assassinatos, como o do ex-presidente
chileno Eduardo Frei Montalva (1964-1970), internado ali por um simples
procedimento e morto misteriosamente nos anos 1980.
| João Wainer/Folhapress | ||
| Desenho que alude ao poeta Pablo Neruda (1904-1973) nas imediações do bairro Bellavista, em Santiago (Chile) |
CHOFER
Em maio de 2011, o chofer do casal Neruda, Manuel Araya, deu uma
entrevista à revista mexicana "Proceso" em que relatava o bom estado de
Neruda e a existência de chamadas com ameaças à sua casa, em Isla Negra.
Araya, então um jovem de 27 anos, hoje defende a versão do assassinato e é uma das principais fontes de Amorós.
A investigação da morte de Neruda promete ocupar bom espaço durante o aniversário de 40 anos do golpe militar.
O resultado da exumação deve sair na mesma época. Também recentemente,
alguns casos famosos tiveram importantes avanços, como o julgamento dos
responsáveis pela morte de Victor Jara.
"O Chile demorou muito para tratar o tema de modo transparente e
distanciado, afinal, a ditadura foi um trauma grande, que levou muitos
anos e deixou várias marcas. Agora é a hora de as verdades aparecerem",
diz Amorós
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
SALVADOR: A CIDADE NEGRITUDE QUE VIVE UM VERDADEIRO APARTHEID
Carnaval: observatório tem 402 casos de racismo
"Salvador é, sim, uma cidade racista, basta ver os
números registrados aqui no Carnaval, que colocam esse crime com 81%
das ocorrências. Precisamos mudar isso", quem lamenta é a vice-prefeita e
militante do movimento negro, Célia Sacramento, do PV; Observatório da
Discriminação Racial, da Violência contra a Mulher e LGBT registrou o
total de 544 atos de violência e discriminação; racismo lidera com
73,89% dos casos.
Não deveria, mas Salvador, que tem a maior população negra da América
Latina, "é, sim, uma cidade racista", como esbravejou a vice-prefeita e
militante do movimento negro Célia Sacramento (PV).
Observatório da Discriminação Racial, da Violência contra a Mulher e
LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) registrou um
aumento de 15.8% de ocorrências em relação ao ano passado, com um total
de 544 atos de violência e discriminação.
O sábado foi o dia que apresentou maiores dados, com 143 ocorrências, das quais, a maioria no Circuito Osmar (Campo Grande).
Apesar do caráter popular da festa e da predominância de negros na
cidade, dos três focos trabalhados, o racismo lidera com 73,89% dos
dados o que representa 402 registros, com destaque para o quesito
vulnerabilidade social de negros e negras na folia, seguida pelo quesito
agressão.
Outro dado importante foi o registro de 18 denúncias de racismo que
deverão ser apuradas pelos órgãos competentes, baseando-se nas
informações dos denunciantes.
Agressão foi o quesito com mais evidência no foco violência contra a
mulher, entretanto, com inúmeras campanhas de respeito às mulheres,
houve uma leve diminuição dos casos registrados em relação à edição 2012
do Observatório, apresentando neste ano um total de 112 ocorrências,
com quatro denúncias.
Cidade racista
Em entrevista ao site Política Livre, a vice-prefeita Célia
Sacramento (PV) lamentou os números que refletem a discriminação e
afirmou que a capital baiana é uma das cidades mais racistas do mundo.
"Salvador é, sim, uma cidade racista, basta ver os números registrados
aqui no carnaval, que colocam esse crime com 81% das ocorrências.
Precisamos mudar isso".
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
OPORTUNIDADE NOS CONCURSO
Principais concursos públicos somam 20.362 vagas com remuneração de até R$ 21,7 mil
Nesta segunda-feira (11), os 20 principais concursos públicos oferecem 20.362 vagas em
várias regiões do país. Existem oportunidades em diversos cargos
destinados a candidatos de todos os níveis escolares. As remunerações
iniciais podem chegar a R$ 21.766, dependendo da função desejada.
Confira os 20 principais concursos:
| Órgão | Vagas | Escolaridade | Salário | Inscrição | |
| Petrobras | 44 | Nível médio | R$ 2.599 a R$ 3.132 | Até 21/2 | Edital |
| Aeronáutica | 180 | Nível médio | --- | Até 18/2 | Edital |
| Aeronáutica | 241 | Níveis médio e superior | Até R$ 9.490 | 18/3 a 23/4 | Edital |
| MinC (DF) | 84 | Nível superior | R$ 1.900 | Até 3/3 | Edital |
| SAP (SP) | 200 | Nível médio | R$ 2.206 | Até 1/3 | Edital |
| Marinha | 2.200 | Nível fundamental | --- | Até 15/3 | Edital |
| Sejus (ES) | 500 | Nível médio | R$ 2.156 | Até 15/2 | Edital |
| Confresa (MT) | 171 | Todos os níveis | R$ 678 a R$ 3.200 | Até 12/2 | Edital |
| UFRJ | 311 | Nível superior | Até R$ 8.049 | Até 8/3 | Edital |
| TRT (SP) | 29 | Nível superior | R$ 21.766 | Até 5/3 | Edital |
| Detran (RS) | 216 | Níveis médio e superior | R$ 1.578 a R$ 4.456 | Até 18/2 | Edital |
| Formiga (MG) | 203 | Todos os níveis | R$ 659 a R$ 6.249 | Até 15/2 | Edital |
| Hemominas (MG) | 398 | Níveis médio e superior | R$ 887 a R$ 11.050 | 18/2 a 19/3 | Edital |
| IFSC (SC) | 320 | Todos os níveis | R$ 1.749 a R$ 6.654 | Até 15/2 | Edital |
| Japeri (RJ) | 1.680 | Níveis médio e superior | R$ 789 a R$ 2.143 | Até 10/3 | Edital |
| Polícia Militar (DF) | 1.000 | Nível superior | R$ 3.322 a R$ 4.306 | Até 18/2 | Edital |
| TJDFT | 110 | Níveis médio e superior | R$ 4.635 a R$ 7.566 | Até 13/2 | Edital |
| Seduc (RS) | 10.000 | Níveis médio e superior | R$ 783 a R$ 1.465 | 27/2 a 13/3 | Edital |
| Polícia Militar (MG) | 1.875 | Níveis médio e superior | R$ 2.367 a R$ 5.446 | Até 28/2 | Edital |
| Polícia Civil (BA) | 600 | Nível superior | R$ 2.665 a R$ 9.155 | Até 19/2 | Edital |
A IMPRENSA BRASILEIRA NÃO É DEMOCRÁTICA
A imprensa brasileira não é democrática
EMIR SADER
A imprensa tradicional brasileira, a velha mídia, não é democrática, de qualquer ponto de vista que seja analisada.
Antes de tudo, porque não é pluralista. Do editorial à ultima página, a visão dos donos da publicação permeia tudo, tudo é editorializado. Não podem, assim, ter espaço para várias interpretações da realidade, deformada, esta, pela própria interpretação dominante na publicação, do começo ao fim.
Não é democrática porque não contém espaços para distintos pontos de vista nas páginas de debate, com pequenas exceções, que servem para confirmar a regra.
Não é democrática porque expressa o ponto de vista da minoria do país, que tem sido sistematicamente derrotada desde 2002, e provavelmente seguirá sendo derrotada. Não expressa a nova maioria de opinião política que elegeu e reelegeu Lula, elegeu e provavelmente reelegerá a Dilma. A imprensa brasileira expressa a opinião e os interesses da minoria do país.
Não é democrática, porque não se ancora em empresas públicas, mas em empresas privadas, que vivem do lucro. Assim, busca retorno econômico, o que faz com que dependa, essencialmente, não dos eventuais leitores, ouvintes ou telespectadores, mas das agências de publicidade e das grandes empresas que ocupam os enormes espaços publicitários.
São empresas que buscam rentabilidade para sobreviver. Que não se interessam por ter mais público, mas público “qualificado”, isto é, o de maior poder aquisitivo, para mostrar às agências de publicidade que devem anunciar aí. São financiadas, assim, pelas grandes empresas privadas, com quem têm o rabo preso, contra cujos interesses não vão atuar, o que seria dar um tiro no próprio pé.
Não bastasse tudo isso, as grandes empresas da mídia privada são empresas de propriedade familiar. Marinho, Civita, Frias, Mesquita – são não apenas os proprietários, mas seus familiares ocupam os postos decisivos dentro de cada empresa. Não há nenhuma forma de democracia no funcionamento da imprensa privada - são oligarquias, que escolhem entre seus membros os seus sucessores. Nem sequer pro forma há formas de rotatividade. Os membros das famílias ficam dirigindo a empresa até se aposentarem ou morrerem, e designam o filho para sucedê-los.
Tampouco há democracia, nem sequer formal, nas redações dessas empresas. Não são os jornalistas que escolhem os editores. São estes nomeados – e eventualmente demitidos – pelos donos da empresa, os que decidem as pautas, que têm que ser realizadas pelos jornalistas, com as orientações editorializadas da direção.
Uma mídia que quer classificar quem – partidos, governos etc. – é democrático, é autoritária, ditatorial, no seu funcionamento, tanto na eleição dos seus dirigentes, quanto na dinâmica das suas redações.
Como resultado, não é estranho que essa mídia tenha estado ferreamente contra os mais populares e os mais importantes dirigentes políticos do Brasil – Getúlio e Lula. Não por acaso estiveram contra a Revolução de 30 e a favor do movimento contrarrevolucionário de 1932 e o golpe de 1964, que instalou a mais a sangrenta ditadura da nossa história.
Coerentemente, apoiaram os governos de Fernando Collor e de FHC, e se erigiram em direção da oposição aos governos do Lula e da Dilma.
Em suma, a velha imprensa brasileira não é democrática, é um resquício sobrevivente do passado oligárquico do Brasil, que começa a ser superado por governos a que – obviamente – essa imprensa se opõem frontalmente.
A democratização do país começou pelas esferas econômica e social, precisa agora chegar urgentemente às esferas políticas – Congresso, Judiciário – e à imprensa.
País democrático não é só aquele que distribui de forma relativamente igualitária os bens que a sociedade produz, mas o que tem representações políticas eleitas pela vontade popular, e não pelo poder do dinheiro. E que forma suas opiniões de forma pluralista e não oligárquica. Um país em que ninguém deixa de falar, mas em que todos falam para todos.
Antes de tudo, porque não é pluralista. Do editorial à ultima página, a visão dos donos da publicação permeia tudo, tudo é editorializado. Não podem, assim, ter espaço para várias interpretações da realidade, deformada, esta, pela própria interpretação dominante na publicação, do começo ao fim.
Não é democrática porque não contém espaços para distintos pontos de vista nas páginas de debate, com pequenas exceções, que servem para confirmar a regra.
Não é democrática porque expressa o ponto de vista da minoria do país, que tem sido sistematicamente derrotada desde 2002, e provavelmente seguirá sendo derrotada. Não expressa a nova maioria de opinião política que elegeu e reelegeu Lula, elegeu e provavelmente reelegerá a Dilma. A imprensa brasileira expressa a opinião e os interesses da minoria do país.
Não é democrática, porque não se ancora em empresas públicas, mas em empresas privadas, que vivem do lucro. Assim, busca retorno econômico, o que faz com que dependa, essencialmente, não dos eventuais leitores, ouvintes ou telespectadores, mas das agências de publicidade e das grandes empresas que ocupam os enormes espaços publicitários.
São empresas que buscam rentabilidade para sobreviver. Que não se interessam por ter mais público, mas público “qualificado”, isto é, o de maior poder aquisitivo, para mostrar às agências de publicidade que devem anunciar aí. São financiadas, assim, pelas grandes empresas privadas, com quem têm o rabo preso, contra cujos interesses não vão atuar, o que seria dar um tiro no próprio pé.
Não bastasse tudo isso, as grandes empresas da mídia privada são empresas de propriedade familiar. Marinho, Civita, Frias, Mesquita – são não apenas os proprietários, mas seus familiares ocupam os postos decisivos dentro de cada empresa. Não há nenhuma forma de democracia no funcionamento da imprensa privada - são oligarquias, que escolhem entre seus membros os seus sucessores. Nem sequer pro forma há formas de rotatividade. Os membros das famílias ficam dirigindo a empresa até se aposentarem ou morrerem, e designam o filho para sucedê-los.
Tampouco há democracia, nem sequer formal, nas redações dessas empresas. Não são os jornalistas que escolhem os editores. São estes nomeados – e eventualmente demitidos – pelos donos da empresa, os que decidem as pautas, que têm que ser realizadas pelos jornalistas, com as orientações editorializadas da direção.
Uma mídia que quer classificar quem – partidos, governos etc. – é democrático, é autoritária, ditatorial, no seu funcionamento, tanto na eleição dos seus dirigentes, quanto na dinâmica das suas redações.
Como resultado, não é estranho que essa mídia tenha estado ferreamente contra os mais populares e os mais importantes dirigentes políticos do Brasil – Getúlio e Lula. Não por acaso estiveram contra a Revolução de 30 e a favor do movimento contrarrevolucionário de 1932 e o golpe de 1964, que instalou a mais a sangrenta ditadura da nossa história.
Coerentemente, apoiaram os governos de Fernando Collor e de FHC, e se erigiram em direção da oposição aos governos do Lula e da Dilma.
Em suma, a velha imprensa brasileira não é democrática, é um resquício sobrevivente do passado oligárquico do Brasil, que começa a ser superado por governos a que – obviamente – essa imprensa se opõem frontalmente.
A democratização do país começou pelas esferas econômica e social, precisa agora chegar urgentemente às esferas políticas – Congresso, Judiciário – e à imprensa.
País democrático não é só aquele que distribui de forma relativamente igualitária os bens que a sociedade produz, mas o que tem representações políticas eleitas pela vontade popular, e não pelo poder do dinheiro. E que forma suas opiniões de forma pluralista e não oligárquica. Um país em que ninguém deixa de falar, mas em que todos falam para todos.
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